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A política que NÃO RESPONDE: o caos, a desigualdade e a falta de solução

Constantemente me perguntam qual é o meu posicionamento político, como se houvesse uma resposta simples e direta, como se a verdade se resumissem a uma única linha, uma única bandeira. Mas, sinceramente, cheguei à conclusão de que não há mais uma resposta clara ou definitiva. O que vejo, cada vez mais, é um emaranhado de paradoxos e contradições que tornam qualquer definição superficial. O Brasil, nesse caos político, parece ser uma sucessão de ilustrações do que a filosofia nos alerta: a política, quando distorcida, se transforma em um jogo de aparências, onde os discursos de direita e esquerda se confundem, e as promessas de mudança se perdem na prática da manutenção do status. "A política é a arte do possível", diria Maquiavel. Mas, no nosso caso, o que me parece possível não é mais uma política que nos inclua a todos, mas uma perpetuação de um sistema que engessa direitos e marginaliza a maioria. A frustração vem da percepção de que, por mais que se fale em direitos funda...

Fragmentos de quem sou

Há momentos em que me vejo perdida, como uma melodia dissonante tocada por mãos invisíveis, que não sei se moldam o que sou ou o que estou tentando ser. Em algum lugar, entre a necessidade e o vazio, aceito o que se me oferece, como se fosse o único caminho a seguir. A dor, então, se torna algo quase tangível, como um compromisso com o destino. Me entrego a ela, como quem se submete ao vento forte que arrasta pensamentos, levando tudo o que era. Não me firo com lâminas, mas com crenças silenciosas — aquelas que se instalam sem aviso e se tornam verdades não ditas. É aí que me vejo fragmentada. Olho para dentro e encontro pedaços de mim mesma, espalhados e despedaçados. Cada fragmento parece uma peça perdida de um sonho que nunca se concretizou, de uma ideia que se desfez ao primeiro toque da realidade. E então, a realidade irrompe, sem aviso, como uma luz crua que fere os olhos acostumados à penumbra do sonho. Desperto e, ao fazer isso, vejo que a ilusão, com suas cores vibrantes, diss...

Expectativas do ser e/ou existir

Às vezes, parece que tudo ao redor está pedindo demais, como se o peso das expectativas nunca fosse aliviado. Todo dia é a mesma cobrança disfarçada de “ajuda” ou “dúvida”, como se a vida devesse ser perfeita o tempo todo, como se houvesse uma receita para conseguir dar conta de tudo e ainda sorrir no final. Mas, a cada novo esforço, sinto que estou mais distante de algo que nem sei mais o que é. As palavras dizem uma coisa, mas os gestos são sempre tão diferentes, como se tudo ao meu redor fosse só mais uma peça de um quebra-cabeça que nunca se encaixa. Tem dias em que me pego pensando se alguém percebe que estou ali, mas ao mesmo tempo tão longe. Ou será que sou só mais uma na lista de coisas que precisam ser feitas? Um número a mais. Não é que eu não queira, é que, às vezes, parece que o mundo nunca dá uma pausa. E essa cobrança constante... parece que é isso que está me consumindo aos poucos, como uma pressão que não alivia. Mas, claro, tudo é só uma questão de "se esforçar ma...

A filosofia como caminho para a reflexão crítica e o conhecimento verdadeiro

Nas atividades cotidianas, simples ou complexas, podemos perceber que nossa vida é repleta de crenças silenciosas e da aceitação tácita de evidências que raramente questionamos, pois nos parecem naturais e óbvias. A atitude filosófica surge quando nos deparamos com o conceito reflexivo e crítico. Inicialmente, essa atitude é negativa, pois se opõe ao senso comum, questionando as ideias e experiências cotidianas que são tidas como estabelecidas. Para alcançar o senso crítico, é preciso abandonar os pré-conceitos que temos sobre a realidade e as evidências do cotidiano. A filosofia visa proporcionar um conhecimento que vai além de nossa realidade imediata, questionando aquilo que consideramos natural e óbvio. Em geral, a filosofia é frequentemente questionada. Diferente de outras áreas do conhecimento, a pergunta "para que serve a filosofia?" é, muitas vezes, feita de forma sarcástica, desafiando sua utilidade e participação na sociedade. Enquanto outras disciplinas buscam valo...

A pressão da escolha acadêmica e profissional na sociedade contemporânea: reflexões sobre o sucesso, o empreendedorismo e o ensino tradicional

     Nos últimos anos, a pressão para escolher uma formação acadêmica e uma carreira tem aumentado significativamente, especialmente com a ascensão de novos discursos sobre sucesso e profissão. A proliferação de coaches e influenciadores digitais, que associam a ideia de realização pessoal e profissional ao empreendedorismo, adiciona uma camada extra de ansiedade, principalmente para os jovens que tentam decifrar o que esperam do futuro. Em meio a essas pressões, é interessante recorrer a pensadores que, de diferentes maneiras, ajudaram a entender o que está em jogo nessa escolha e como a sociedade enxerga o sucesso.      Por um lado, a valorização do empreendedorismo, amplificada pelos coaches, se conecta com o que o filósofo Zygmunt Bauman chamou de modernidade líquida. Bauman argumenta que, na sociedade contemporânea, as relações, os empregos e até as certezas existenciais se tornam volúveis e passageiras, como "líquidas". Nesse contexto, a ênfase no emp...

Ao historiador

Story O interesse tácito, o interesse disfarçado. Visualizava seus stories. Visualizava os stories que ele me marcou. Na penumbra do anoitecer, sem o ter, Pensava nas possibilidades. Escrevia, reescrevia possíveis directs. Não os enviei, talvez não o surpreenderiam. Na descrença idealizada: – Não há compatibilidade entre nós. Notificação no meu direct. Ele? Não, uma página, uma organização acadêmica. Aproveitando o feito, observando o feed. Uma nova foto carregada. Um novo story. Um comentário. Uma (re)volução: Emiliano Zapata? Um total desconhecido. O desconhecido é provocativo, é excitante, é estimulante. Não criei expectativas na nossa primeira conversa. Carismático, característica que aprecio. Receptivo ao ponto de me fazer ficar ali, lendo, escrevendo. O desconhecido é provocativo, é excitante, é estimulante. Incrível, fomos capazes de unir duas forças: O desejo e o conhecimento. Talvez tenha sido assim na Grécia. Laissez-faire, democrata social. Humil...

Luz ao mundo

Minha vida é cinza, cinza como o barro. Acreditar na educação é o que traz cor ao meu mundo, embora todos tentem me fazer acreditar o contrário. Perco tempo, ou talvez não o tenha. Não o tenho porque me preocupo demais com o que dizem, com o que pensam. O branco é meu refúgio. O preto traz legibilidade ao que escrevo sobre o branco; ao escrever, eu me abstenho do cinza. Ou espanto ou ignoro, mas não posso dar ouvidos a ele. Quando me perco, esqueço da aquarela, aquarela que colore o meu mundo. Tento contemplar o cinza, mas ele não é contemplável. O cinza é a vaidade, é o sonho alheio, é o princípio de outro. É tudo o que querem que eu seja. Quando penso na educação, a cor me invade, e o cinza desaparece. O conhecimento traz luz ao meu mundo. Sou luz quando o compartilho.