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Ao historiador



Story

O interesse tácito, o interesse disfarçado.
Visualizava seus stories.
Visualizava os stories que ele me marcou.

Na penumbra do anoitecer, sem o ter,
Pensava nas possibilidades.
Escrevia, reescrevia possíveis directs.

Não os enviei, talvez não o surpreenderiam.
Na descrença idealizada:
– Não há compatibilidade entre nós.

Notificação no meu direct.
Ele? Não, uma página, uma organização acadêmica.
Aproveitando o feito, observando o feed.

Uma nova foto carregada.
Um novo story.
Um comentário.
Uma (re)volução: Emiliano Zapata?
Um total desconhecido.

O desconhecido é provocativo, é excitante, é estimulante.
Não criei expectativas na nossa primeira conversa.
Carismático, característica que aprecio.

Receptivo ao ponto de me fazer ficar ali, lendo, escrevendo.
O desconhecido é provocativo, é excitante, é estimulante.
Incrível, fomos capazes de unir duas forças:
O desejo e o conhecimento.
Talvez tenha sido assim na Grécia.

Laissez-faire, democrata social.
Humildade intelectual ao ponto de ler o que escrevo.
Qualidade que o difere.

Para alguns, o amor é um vício.
Para outros, é ilusório.
Para ele, uma crença.
Crença que o fez ser o último romântico.

Sua originalidade em ser.
Sua paciência em não se precipitar.

Não o conheço, nunca o vi.
Conheço o que ele me permitiu.
O suficiente para dizer:
UM HOMÃO DA PORRA!

Que um dia ele me persiga
Igual Stalin perseguiu Trotsky.
Que um dia ele me pegue
Igual Trotsky pegou Frida.

Ele todo “Annales” e eu toda metódica.
Ele não é Marx.
Eu não sou Engels.
Mas investiria em suas ideias.

Você me ensinou:
Mais vale um democrata na mão
Do que dois Laissez-Faire voando.

Ao professor que tem me ensinado tanto,
Obrigada!



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